ARTIGOS DOS ACADÊMICOS

PRÍNCIPE-NETO DA RAINHA DE SABÁ

                                                                          Wladimir Novaes Martinez

 

          El Farid, o notável Grão-Vizir, tinha acesso pessoal ao Rei de Sabá. Aproximou-se respeitosamente de Sua Majestade e lhe trouxe um problemão: duas mulheres alegavam ser mãe de um bebê recém-nascido.

 

          Elas foram bem recebidas em audiência, próximas do trono real, o bebê cochilava colocado num berço improvisado ao seu lado. Circunspecto, o Monarca indagou da primeira mulher:

 

          --- Senhora Judite: a senhora deu a luz essa criança? --- Pressurosamente, ela balançou a cabeça, em sinal positivo.

 

          --- Senhora Esther: a senhora deu a luz essa criança? --- A resposta foi segura e igual.

 

          --- Sim, Senhor.

 

          Bem, uma das duas mentia ou estava enganada. Olhou para uma, para outra e para a criança que, agora, dormia o sono dos justos. Mirou o Grão Vizir, sem saber o que fazer, em seguida suspendeu a oitiva das pleiteantes, pediu a serviçal do palácio que tomasse o bebê em seu colo e dispensou as duas litigantes.

 

          --- E agora, o que eu faço? --- Assim que elas saíram, indagou ao seu Ministro.

 

          Depois de coçar a cabeça, o conselheiro lembrou-lhe a estória bíblica do Rei Salomão, antigo sábio conhecido e venerado de sua mãe, que enfrentara o mesmo problema.

 

          --- Como ele resolveu?

 

          O relato constava na Bíblia. Na frente de duas prostitutas e em face das mesmas respostas, o filho de Davi pegou uma afiada espada de um soldado perfilhado ao seu lado, levantou-a em riste e disse:

 

          --- Vou cortá-lo ao meio e darei metade a cada uma.    

 

          Imediatamente a segunda prostituta gritou:

 

          --- Pare! Não faça isso; dê a ela. Prefiro o meu filho vivo com ela do que morto.

 

          Imediatamente, Salomão entregou-lhe o bebê. Ela mostrara a dignidade e o desprendimento de verdadeira mãe. A história correu todo o Oriente Médio, como um ato de sabedoria do Rei, que faria lenda.

 

          “Nossas duas mulheres” acrescentou El Farid, não conhecem esse fato sucedido na Palestina e muito menos aqui na Etiópia. São umas pobres diabas, analfabetas de pai e mãe. Proponha a mesma medida e pronto.

 

          O Rei acatou o conselheiro, a quem chamava de um “aspone”, quando ele não estava por perto. Um homem útil ao seu modo.

 

          Ei-lo novamente diante de Judite e Esther. Nova audiência real e os circundantes à sua volta. Uma cena deliciosa de se ver.

 

          Ao lado do trono uma enorme espada afiadíssima e brilhante. Repetiu as palavras sacrossantas de Salomão, levantou a terrível arma e, uníssonas as duas jovens gritaram:

 

          --- Não. Pare majestade! --- Uma olhando e apontando para a outra --- É melhor que o meu filho fique com ela do que morra.

 

          --- Merde! --- Bravejou Sua Majestade que lera algum livro francês.

 

          A criança continuou na custodia do poderoso Reino de Sabá e as mulheres foram novamente dispensadas. Entregou o bebê a uma concubina e lhe disse:

 

          --- Tome conta dele. Não se afeiçoe; não quero três mulheres disputando o mesmo filho aqui no palácio.

 

          Ele sabia que aquela lenga-lenga iria longe. Uma ladainha desgraçada que lhe retirava o bom humor.

 

          --- Tudo eu... Para mim nada é fácil --- Ele murmurou consigo.    

 

          Novo papo com o auxiliar. Diante do impasse, o assessor palaciano pediu que chamassem a parteira. Ela teria a solução, assistira o nascimento.

 

          --- Isso mesmo, disse o Rei, ela deve saber algo. Como é que não pensamos nisso?

 

          Mais uma vez, eis o soberano sentado no seu trono de púrpura, desta vez sem o bebê e as mulheres que se diziam mãe dele. A parteira entrou solenemente, andando com a ajuda de uma pesada bengala de mogno, esbarrando aqui e ali, cega de nascença.

 

          “Puta que o pariu!”, exclamou o Rei em voz alta: --- Ela é uma cegueta. Não enxerga um palmo adiante do nariz.

 

          El Farid garantiu-lhe na hora que, mesmo assim, era a melhor parteira do Reino.

 

          A “curiosa” explicou que chegou apressada para atender duas parturientes na mesma casa. Fez os partos, mas um bebê nasceu morto, não saberia dizer de qual grávida. O feto foi enterrado sem que a mãe soubesse disso. Poderia ter a psicose puerperal ou uma depressão tardia.

 

          “Pô!” --- Nada resolvido, ajuizou o magistrado etíope.

 

          Pior, a enfermeira que chegou para ajudar, havia mostrado o bebê às duas mulheres que se julgavam ser a mãe da criança, ou seja, uma história diferente daquela enfrentada por Salomão.

 

          “Saco!”, pensou o Rei e chamou El Farid pela enésima vez.

 

          Na raivoso entrevista, não tem outro jeito, ele recomenda que seja convocado o médico da corte, um tremendo sacripanta que escolhera essa profissão só para poder examinar mulheres despidas. Somente ele poderia decifrar aquela charada.

 

          O médico chega altivo e afirmou que vinha fazendo pesquisas sobre o ácido desoxirribonucleico...

 

          --- Que bicho é esse? Indagou o Rei.                           

 

          --- Um trabalho que venho desenvolvendo sobre o genoma humano.

 

          --- Ah! Entendi... O que você pretende fazer neste caso?

 

          --- Fácil. Dois palitos. Vou examinar intimamente as duas: uma delas não tem saúde; a outra é a mãe. Mediante uma boa anamnese, entrevista verbal, além do exame vaginal saberei do andamento da gravidez. Peço autorização a Vossa Majestade para elas tirarem toda a roupa.

 

          O Rei pensou: “Desgraçado!”. As duas são jovens e bonitas. Esther ainda mais.

 

          --- Está bem. Tem certeza do resultado?

 

          --- Xá, comigo.

 

          Que “linguagem!”, ajuizou o monarca. Qualquer dia mandaria cortar a garganta daquele espertinho.

 

          Dias depois, lá vem o facultativo com a solução: Judite não era a mãe. A genitora era Esther, por sinal a mais bela das duas.

 

          Ele mesmo dera a notícia para Judite e recomendou que fosse para a Índia se tratar, onde ele se formara. Quem sabe os médicos de lá a curassem.

 

          Coitada da mulher, chorando desesperada iniciou a longa travessia do deserto infestado de bandidos, com medo de ser assaltada por tuaregues. O Rei mandou chamar Esther e a informou que decidira: era a mãe e iria ficar com a criança. Ela ficou feliz, mas logo compadeceu-se da concorrente.

 

          --- O que aconteceu com Judite?

 

          --- Coitada, não tem saúde para engravidar, foi embora por esse mundo afora.

 

          Então, Esther disse ao Rei para resgatá-la, dissessem que se enganaram; o filho seria dela. Sentia-se apta para nova maternidade, Um dia poderia ter outro filho. Diante da generosidade proposta, o Rei aceitou a indicação e perguntou a ela:

          --- Quer ser a minha 83ª concubina? Cama, casa e comida e roupa lavada, nessa ordem.

 

          --- Concubina do Rei de Sabá? O filho da Rainha de Sabá! Uma honra sem fim.

 

          --- Bem, então, fique aqui no palácio. Daqui a nove meses você terá o nosso filho: ele será o Príncipe-Neto da Rainha de Sabá. 


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Mário Jequibau Albanese 

Os caracteres físicos transmitem-se de pai para filho enquanto  o plasma germinativo transporta oscaracteres psíquicos. A família de Bach se notabilizou porque teve uma herança musical por umalinha ininterrupta  de cinco gerações. As famílias de Mozart, Beethoven, Lizst ficaram famosas porque todos os seus membros eram  músicos. A minha procedência evidencia esse componente genético desde meu avô materno, minha mãe e seus quatro irmãos, todos músicos. Eu e minha irmã Susi, idem! Meus cinco filhos têm musicalidade inata e foram iniciados na música. Apreciam, têm preferências e, senso crítico. 

Idiotia musical  e  Surdez tonal podem ocorrer por hereditariedade e seus portadores não conseguem  perceber as qualidades do som. Ouvem sem sentir prazer na audição. Seria comoouvir, sem compreender, alguém falando um idioma desconhecido. São exemplos significativosdessa insuficiência congênita  os amúsicos renomados Victor Hugo, Émile Zola, Anatole France e Napoleão Bonaparte. 

Música & Trabalho. Acredita-se que tenha sido Thomas Edison o primeiro a aplicar racionalmente  a música com o intúito de estimular o trabalho preconizando a instalação de seus fonógrafos emfábricas e outros centros de atividade. 

Timoterapia, tratamento pela emoção. Nas salas de cirurgia a música é um recurso eficaz paraapaziguar a angústia do paciente envolvido no clima pré-operatório. 

Jornaleiros, feirantes e mascates, vendem mercadorias cantando pregões. 

Nos teatros e praças esportivas, as palmas e vaias são formas de incentivo para melhorar odesempenho.   

música como psicoterapia deve ser utilizada com critérios científicos e para agir nos domíniosda emoção. Dependerá do tipo de música e da qualidade do tímbre do instrumento, do ambiente e das condições do ouvinte. Músicas de andamento vivo e acelerado são estimulantes, despertam alegria e entusiásmo numa ação dinamogênica 
propícia para aumentar a capacidade de trabalho e o movimento. 

emoção musical repercute no ouvinte também em razão das circunstâncias e do momento da audição. As imagens e fatos ficam impregnados na mente, caso típico das trilhas sonoras de filmestelenovelas que ficam decalcadas na mente com a sugestão visual das cenas. 
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Mário Albanese - Rimo e Vida. 
literatura utiliza a escrita para preservar tudo que for passível de registro. A publicação de um livro perpetua a realidade, o trabalho e o desejo do escritor. O ato em si, independe da crítica e do público. A literatura expressa e registra objetivos, sentimentos, anseios e sonhos num caldo que mistura seu objetivo. Em tese, a literatura é o uso estético da escrita, uma parte da filosofia voltada para a reflexão. 

1. Tabagismo no Ambiente de Trabalho:  Livro impresso pela Pancast Editora, 1988. Mário Albanese em parceria com Aristides Almeida Rocha revela a Poluição do Ar nos Ambientes Fechados e que tem no cigarro seu poluidor prevalente e o fumante passivo como vítima indefesa. 

2. Legislação sobre Tabagismo, em parceria com Rodolfo Brumini é uma compilação que levantou a legislação antitabágica estadual e municipal existente, assim como inseriu uma proposta de Lei Estadual dentro da competência que a Constituição confere aos Estados e Municípios. Essa obra teve duas edições por parte da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.  O tabaco é o único agente que não sendo bactéria nem vírus, adquiriu características epidêmicas pelosmalefícios que causa à saúde pública. 


3. Garoto – O Gênio das Cordas. SESI Editora/SP
 
Livro Idealizado e Organizado por Mário Albanese.

Garoto, menino precoce que tirava sons da guitarra portuguesa do irmão  Batista, fato que o fez  ganhar um banjo para evitar que mexesse no requintado instrumento.  Criativo e talentoso ficou celebrizado como O Moleque do Banjo. Fotos da época inseridas no livro revelam um Garotode calças curtas entre adultos. Garoto promoveu transformações significativas no violão  e foi também um líder que promoveu avanços e inovações. Sua curta presença nos Estados Unidos lhe rendeu apelidos expressivos como: O Gênio das Cordas e  O Homem dos Dedos Maravilhosos. 

4. Mário Albanese: Ritmo e Vida 
Trata-se de uma brochagem de (107) cento e sete páginas que enfeixa a vida artística de Mário Albanese. Realização idealizada pela pesquisa do educador Rodolfo Brumini.

Um criador que deixou de ser nome e sobrenome para se  tornar um gênero musical, propriedade da culturado Brasil e do Mundo. Uma assinatura internacionalmente que consolida ainda mais sua posição de destaque na música. Esse trabalho concentra 5 aspectos: 1. Currículo. 2. Expressões de Reconhecimento. 3. Destaques na Mídia. 4.Produção Musical. 5.Mário por ele Mesmo

O pensamento cria, o desejo atrai e a fé no trabalho realiza. 
Com particular consideração e amizade, 
Mário Jequibau Albanese